segunda-feira, 29 de junho de 2015

Uma Mina de Ouro na antiga Vila Rica


       Tombada pela Unesco como Patrimônio da Humanidade, a antiga Vila Rica surpreende turistas do mundo inteiro com sua riqueza cultural. Palco da Inconfidência Mineira, a cidade possui belíssimas Igrejas e Museus que contam um pouco da história da nossa gente. 

       Este talvez, seja o relato mais antigo que vou compartilhar com vocês aqui no Blog. Redigi esse texto para o Jornal Planeta Legionis, logo após voltarmos dessa viagem, em agosto de 2008. Claro que dei uma enxugada no material, porém, procurei manter a essência e principalmente, o meu olhar da época sobre a viagem.
    Começamos nosso passeio por Mariana- MG. Demos uma pequena volta pelo Centro e nos dirigimos à Estação Ferroviária onde pegaríamos o trem rumo a Ouro Preto - MG. O passeio pelos 18 km da estrada de ferro foi um verdadeiro presente da natureza. Paisagens de encher os olhos ao cortarmos rios, montanhas e cachoeiras. Adrenalina total ao entrarmos em um túnel ou quando o trem deixava pra trás penhascos de prender a respiração. 


       Ao desembarcarmos em nosso destino, fomos direto para a Praça Tiradentes onde um guia se ofereceu para nos acompanhar, aceitamos. O rapaz nos apresentou a Matriz Nossa Senhora do Pilar. Ficamos perplexos diante de tamanha beleza e sensibilidade artística. Destaque aos anjos esculpidos e aos detalhes em ouro e prata em todo o contexto da obra. De lá, nos encaminhamos ao Museu de Arte Sacra, anexo à sacristia da Matriz. 
      Logo após o almoço, nos dirigimos à Mina mais próxima, que ficava a 40 minutos de caminhada. Segundo moradores, a cidade é um verdadeiro queijo suíço, em virtude das diversas minas e túneis secretos que cruzam o subsolo. Chegando lá, fomos recebidos por um guia que se dizia descendente de escravos. Ele nos relatou, com detalhes, o Ciclo do Ouro no Brasil. 
      Cada membro da expedição recebeu uma touca e um capacete para ingressar na mina em segurança. Trocamos olhares apreensivos e entramos em fila indiana. O túnel era muito apertado e o chão irregular. Em alguns momentos, tivemos que andar agachados. De repente, ao olharmos para trás, já não dava mais pra enxergar a entrada. Continuamos a caminhada e aos poucos nos tornávamos mais ofegantes, pois começava a faltar oxigênio. 
      Alguns metros depois, subimos um “morrinho” e chegamos ao lugar exato onde começavam as escavações. Comentário do guia: “Muitos escravos engoliam pepitas de ouro e depois as resgatavam nas fezes, para repassá-las sem ter que dar satisfação aos seus senhores”. Não conseguimos conter o riso. Terminada a expedição, visitamos a Matriz Nossa Senhora da Conceição, onde foi enterrado Aleijadinho, o grande gênio do Barroco Mineiro. E a Igreja São Francisco de Assis, que tem arquitetura com inspiração militar e é a mais famosa obra do artista. 
      Encerramos nossa tarde visitando a Casa dos Contos [imóvel que preserva a memória econômica fiscal do Ciclo do Ouro] e o Museu dos Inconfidentes. Um verdadeiro labirinto de salas e corredores luxuosos e imponentes, com incontáveis obras de arte. Destaque ao Panteão dos Inconfidentes, câmara onde se encontram os restos mortais dos principais nomes do movimento, os pedaços da forca em que morreu Tiradentes e a primeira edição do livro “Marília de Dirceu”.

      Antes de ir embora, nos deliciamos com um saboroso sorvete e passeamos pelas lojas de artesanato da cidade. Cansados, mas muito felizes com o êxito da viagem, entramos no ônibus e um cheirinho de queijo "abençoado" nos acompanhou até chegarmos em casa.

         Leia também: Barbacena, da Fazenda do Registro ao Museu da Loucura

                                Desbravando a Cidade Histórica de Tiradentes

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