sábado, 27 de junho de 2015

Espanha 2011, uma Jornada em Madrid



      Nossa primeira viagem internacional foi motivada pela JMJ Madrid 2011. Uma experiência incrível no exterior com o Papa Bento XVI e mais dois milhões de jovens de todo o mundo. Se não bastasse "O dia em que tudo deu errado em Madrid", na noite da Vigília, realizada em 20 de agosto, passamos o maior perrengue de nossas vidas...

      Porém, antes que vocês pensem que só passamos aperto na Espanha, convém ressaltar que a quinta-feira [Boas-Vindas ao Papa] e a sexta-feira [Via-Sacra] foram dias perfeitos! Ambos eventos aconteceram na Praça de Cibeles e ficaram marcados pra história...Mas antes de contar o perrengue da Vigília, leia um resumo desses dois dias de JMJ na capital da Espanha.


         Ato de Boas-Vindas e Via-Crucis

       O calor estava insuportável naquela quinta-feira. Fizemos amizade com italianos que nos cederam um pedaço de lona para sentarmos. Montamos em parceria com eles o que apelidamos de “cafofo”. Amarramos todas as bandeiras disponíveis e improvisamos uma tenda sob as nossas cabeças. Mais para o final da tarde, apresentadores começaram a animar a juventude, incentivando a interação.

          Às 19h15 o Papa cruzou a “Puerta de Alcalá” acompanhado de jovens dos cinco continentes e recebeu as chaves da cidade. Em seguida Bento XVI, já no papamóvel, percorreu as adjacências da praça acenando a todos, foi emocionante. Gritos eufóricos de “Benedicto” e “Esta és la juventud del Papa” saudavam o Sumo Pontífice.
         No palco, ele discursou: “[...] A todos saúdo com grande amizade e convido a subir até a fonte eterna de vossa juventude e conhecer o protagonista absoluto desta JMJ e- espero- da vossa vida: Cristo Senhor. Nestes dias ouvireis pessoalmente ressoar a sua Palavra. Deixai que esta Palavra penetre e crie raízes nos vossos corações, e sobre ela edificai a vossa vida. Firmes na fé, sereis um elo na grande cadeia dos fiéis. [...]”. Terminado o ato, nos despedimos do Papa ao som do Hino da Jornada.
       Na manhã da sexta-feira, dia 19, participamos de uma catequese e de uma Missa para brasileiros. Após o almoço o grupo se dividiu, alguns foram as compras e Catarina, Pe. Jean, Dodô, Pe. Guilherme e Matheus se dirigiram à praça. Conseguimos um lugar melhor que na véspera e nos divertimos jogando água uns nos outros. Apelidamos a brincadeira de “surpreenda”. Um DJ comandava a animação musical, destaque a “Macarena”, “I gotta feeling” e “Waka Waka”, essa última com italianos nos ensinando a coreografia, até os padres entraram na dança, literalmente.
     A Via Crucis teve início às 19h30 e foi um dos momentos mais belos da JMJ. A orquestra sinfônica e o coro, criados especialmente para a Jornada de Madri, deram o show. Ao longo das quatorze estações (representadas por imagens emblemáticas da Semana Santa espanhola) jovens de todo o mundo (associados ao tema da estação) se alternavam para levar a cruz da jornada. Por exemplo, na “negação de Pedro” jovens da Espanha carregaram a cruz e na estação em que “Jesus é condenado à morte” jovens do Iraque a levaram.
       A 15ª imagem, a “Virgen de Regla”, estava posicionada em frente ao Papa, que concluiu a Via Crucis com as seguintes palavras: “Voltemos agora nossos olhos para a Virgem Maria, que nos foi entregue por Mãe no Calvário, e supliquemo-nos que nos apóie com a sua amorosa proteção no caminho da vida, particularmente quando passarmos pela noite da dor, para conseguirmos permanecer como Ela, firmes ao pé da cruz”. Com essas palavras ecoando nos ouvidos e no coração, voltamos ao hotel.

    Dormir sob as estrelas

     Às 17h do sábado já estávamos em uma das entradas do “Aeródromo de Cuatro Vientos”, um espaço aberto do tamanho de 50 campos de futebol, onde a Vigília e a Missa de Envio da JMJ seriam realizadas. Encontramos os portões fechados. Começava ali a maior saga de nossa viagem. Ninguém nos passava informações precisas e rolou muito estresse. Jovens se empurravam, alguns desmaiaram por causa do calor, outros tentavam furar o bloqueio e eram devolvidos para a multidão. 

    Fontes não tão seguras nos informaram que já havia um milhão e meio de pessoas lá dentro e que ninguém mais entraria. A revolta cresceu, não poderíamos morrer na praia depois de tanto sacrifício para vir à Europa. Às 20h30 teve início a Vigília. O desânimo foi geral. Já se ouvia entre o nosso grupo ideias de voltar ao hotel e assistir pela TV. Quando os policiais desmontaram o sistema de revista e sairam, o negócio piorou. A realidade era dura e inexorável. O sonho acabou.
    Nosso grupo decidiu ir embora. Dulce tentava convencer Matheus de ir, mas mesmo sem argumentos diante da verdade escancarada na nossa frente, ele não arredava o pé. Dodô tentava conciliar as partes. Os minutos se arrastavam até que o milagre aconteceu.  Já passava das 21h quando um portão se abriu, a multidão se espremeu e entrou...

      Embocamos no meio do povo, dando as mãos para não nos separarmos. Ao entrarmos, ouvimos o Papa saudar: “Queridos amigos, sejam bem vindos”. Choramos de emoção. As lágrimas se misturaram as fortes gotas que começaram a cair do céu. “Não tenham medo”, disse o Papa Ratzinger quando uma chuva inesperada, com raios e vento assolou o aeródromo.  Corremos em busca de um lugar pra ficar, mas estava tudo cheio, nossas credenciais eram para o ponto F, mas nem sabíamos onde ficava. Embrenhamos na multidão e encontramos um lugar no ponto D [onde só tinha italianos]  e ficamos. 
     Quando o temporal passou, o Papa (com o hábito molhado até os joelhos) deu início à Adoração ao Santíssimo Sacramento. Um grande ostensório apareceu lentamente no altar. Dois milhões de vozes se calaram para a adoração no mais profundo silêncio [já estávamos bem treinados após a experiência em Taizé]. De joelhos naquele terreno árido não conseguimos conter a emoção...

     Encerrada a adoração, o Papa se foi. Dormimos sob uma fina esteira, com capas de chuva servindo de cobertor, à luz das estrelas. Guardamos nossas credenciais e nos calamos para que o idioma não nos denunciasse... 
      
     O dia amanheceu com um sol revigorante! Sobrevivemos, sem nenhuma sequela, apesar das caras amassadas. Ao final da Missa, o Papa anunciou o Rio de Janeiro como sede da JMJ 2013. Ainda tivemos forças para almoçar na casa de uns brasileiros que conhecemos em Madrid.

        Na sequência, assistimos ao jogo "Espanha X Resto do Mundo" no Estádio Vicente Calderón e depois saímos comemorando pelas ruas de Madrid o anúncio do Brasil como sede da próxima Jornada. Não faltou animação e nem interatividade....Saindo do Aeródromo fomos convidados para almoçar na casa de uma família de brasileiros que reside em Madrid [foto acima].


Confira um vídeo incrível sobre a JMJ





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                                 Obrigado Bento XVI                                

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