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A emoção de reviver as últimas horas de Jesus



         Nos anos de 2011 e 2012, tive a oportunidade de dirigir a “Via Sacra da Juventude”, promovida pelos jovens da Paróquia do Mártir São Sebastião. Foi um grande desafio e uma experiência extremamente marcante, pois também interpretei Jesus. Dessa forma, quero compartilhar com vocês a matéria redigida na época para o Jornal Planeta Legionis...

        Varginha presenciou uma Sexta-Feira da Paixão diferente. Centenas de pessoas que andavam distraídas pelas ruas do Centro, aproveitando o feriado de sol e calor, foram surpreendidas pela força da juventude católica. Mesmo depois de dois mil anos, a história de Jesus Cristo continua arrebanhando multidões.  Olhares curiosos, emoção aflorada e muitas lágrimas marcaram o percurso. 

         “O objetivo da apresentação era fazer com que o público revivesse todo o sofrimento das últimas horas de Cristo. Por isso, optamos por um novo trajeto, no coração da cidade. Dessa forma, um número maior de pessoas poderia assistir. E a estratégia deu certo, a repercussão está sendo extremamente positiva”, afirma Matheus Pissolatti, diretor da peça. Entre atores e bastidores mais de 50 pessoas se empenharam para que tudo acontecesse em tempo real: montagem de cenários, troca de figurinos e sonoplastia. 

         Isabele Pissolatti, que deu vida a Maria na peça, comenta a riqueza desta experiência. “Ficou mais que provado que existe uma juventude diferente, que busca com seu talento e dinâmica um mundo melhor. Pensamos nas gerações que virão, pois temos a esperança de um mundo de amor. Que todos possam conhecer as maravilhas de Deus e viver cada segundo de sua vida com Ele”, ressalta. 
   
       A Santa Ceia, revivida no adro da Igreja do Mártir, foi o ponto de partida da Via Sacra. Terminada a última refeição, Jesus (Matheus Pissolatti) e os discípulos se dirigiram ao Horto das Oliveiras [Praça Dom Pedro II-Jardim do Sapo]. “Fiquei muito emocionado com o número de pessoas que foi mobilizado com essa apresentação. Fiquei pensando o que levaria as pessoas a saírem de suas casas num feriado de manhã para prestigiar um espetáculo teatral. Claro que tem a causa da Paixão de Cristo que foi essencial, mas nem sempre as pessoas se interessam por espetáculos, mesmo os religiosos. O que me chamou atenção foi a inovação e ousadia que vocês tiveram em percorrer um caminho longo e o povo atrás de vocês. Fantástico! Varginha respirou um ar mais artístico no dia 22 de abril graças a vocês! Parabéns!”, comenta o teatrólogo Vanderlei Júnior. 
     
        Após o beijo do traidor, Jesus foi levado ao Sinédrio, montado no início da Praça Governador Valadares. Lá, os Sumo Sacerdotes o acusaram de blasfemo e o encaminharam ao Palácio de Pilatos (Mizael Lima), sediado em cima da Cripta da Igreja Matriz. 

        No caminho, o público deparou-se com Judas (Luiz Fernando) enforcado em uma árvore. “Todos imaginavam que não seria tão bom, pelos desafios que tivemos. Não tínhamos atores suficientes e o percurso seria por um lugar muito movimentado, por isso teríamos que ser brilhantes e somos todos amadores. Mas mesmo assim vencemos o desafio, todos foram incríveis em seus papéis! Isso nos ensinou também que devemos sempre acreditar em nós mesmos e nos dons que Deus nos deu!”, completa a jovem Nataeli Costa, que interpretou o Demônio. 


        Logo após ser flagelado [ao vivo] e condenado, Jesus iniciou sua Via Crucis ao longo da Avenida Rio Branco onde aconteceu os belíssimos encontros com Maria (Isabele Pissolatti), Verônica (Camila Pederiva), Cirineu (Eliton Vicente) e as Mulheres de Jerusalém. “Parabéns pela Via Sacra, foi muito bonita e bem preparada e me ajudou a rezar melhor na Semana Santa aqui em Varginha”, relata o Seminarista Dehoniano Danilo Cardoso, de Brusque-SC.  

       Na Concha Acústica, Cristo foi crucificado e em seguida colocado no colo de sua mãe. O espetáculo terminou com a canção “Belíssimo Esposo”, interpretada pela cantora Camila acompanhada do tecladista Lucas e uma mensagem ecológica relacionada ao tema da Campanha da Fraternidade 2011 proclamada por Neide Moreira. 

           Leia também: Contando a vida de São Sebastião

                                  Um Espetáculo em Formação

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